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Foto: Getty Images

19 de maio de 2014 - 14:31Automobilismo, História

Adeus, Black Jack

Morreu hoje, aos 88 anos, Jack Brabham. Até então, era o mais velho campeão mundial de F1 ainda vivo. Mas a marca de Sir Jack, Black Jack para os íntimos, vai muito além de sua longevidade.

O australiano, que correu na F1 entre 1955 e 1970, foi um dos maiores pilotos da história da categoria. Bicampeão do mundo em 1959 e 1960, resolveu encarar o desafio de montar sua equipe e construir seus próprios carros. Marcou época pela ousadia e pela competência: foi o primeiro a vencer corridas e o único a ganhar um título mundial, em 1966, dirigindo um carro que levava seu próprio nome.

Posteriormente, seu caminho foi trilhado por outros, como Bruce McLaren, John Surtees, Arturo Merzario e Wilson Fittipaldi Jr, mas sem o mesmo sucesso. A equipe McLaren tornou-se também uma das maiores da história da F1, mas isso só ocorreu após a morte de seu fundador.

Mas uma passagem de sua carreira resume bem quem era o Black Jack. Aconteceu em Sebring, nos Estados Unidos, na decisão do título mundial de 1959.

Naquele GP, disputavam o título três pilotos: com Cooper, Jack Brabham e Stirling Moss. Com Ferrari, Tony Brooks. O australiano liderava o campeonato e precisava de uma vitória para confirmar o título. Poderia até ser segundo, desde que o vencedor não fosse Moss. Já as chances de Brooks eram menores: tinha que vencer e torcer para que Brabham não fosse segundo. Para Moss, uma simples vitória resolveria tudo.

E o inglês da Cooper marcou a pole position e partiu na frente, seguido de Jack. Porém, o “campeão sem título” teve um problema de transmissão e foi obrigado a abandonar logo na sexta volta, deixando o caminho aberto para Brabham que, a partir daí, disparou na frente e dominou toda a corrida. Mas quando parecia que o título estava confirmado, o australiano ficou sem combustível. A apenas 500 metros da linha de chegada.

Jack não se intimidou, desceu do carro e começou a empurrar seu Cooper (na época, isso valia). Sem saber a posição de Brooks, imaginou que o adversário pudesse vencer e roubar-lhe a coroa. Com muita garra, empurrou seu pesado carro por toda a extensão da reta, até cruzar a linha de chegada em quarto lugar, exausto.

O esforço foi admirável, mas de nada teria servido se Brooks tivesse vencido. Mas para sua sorte, o inglês da Ferrari foi apenas terceiro, o que lhe garantiu o primeiro de seus três títulos mundiais. Na marra.

Jack Brabham deixa esposa, três filhos e netos.

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comentários

1 comentário

  1. Danilo disse:

    Muito legal a história, capelli.
    Não conhecia esta. A fórmula 1 dos primórdios foi construída por verdadeiros guerreiros e homens que colocavam a mão na massa, literalmente. Hoje em dia os pilotos são moçoilas em sua maioria, e só vivem de simulecros e video games

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