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9 de setembro de 2012 - 19:34Automobilismo

Duas notícias

O GP da Itália trouxe para Fernando Alonso duas notícias. Uma boa, outra nem tanto.

A boa: seu terceiro lugar, somado aos abandonos de Sebastian Vettel e Mark Webber, o deixou em excelente condição no campeonato mundial (por sinal, primeira vez desde o GP da Coreia de 2010 que nenhuma Red Bull marca pontos). Se o abandono em Spa tinha embolado o campeonato, o resultado em Monza devolveu boa parte da vantagem ao espanhol. Antes da Bélgica, Alonso tinha 40 pontos à frente. Hoje, tem 37. E o melhor de tudo para ele: antes faltavam 9 corridas para o fim da temporada, agora só faltam 7.

A ruim: agora o adversário mudou. Se antes se discutia se a briga pelo título seria com Webber ou Vettel, agora Lewis Hamilton dispara como sério candidato. Principalmente porque, pela primeira vez numa temporada marcada pela proximidade entre os times, alguém despontou. E foi justamente a McLaren, onde corre Lewis Hamilton.

O inglês ganhou dois dos últimos três GPs, sendo que poderia também ter vencido em Spa, não fosse abalroado na largada pelo doido Grosjean. Na ocasião, a vitória ficou com seu companheiro Button, de barbada. Os carros prateados só não lideraram 13 das 166 voltas disputadas nas últimas três corridas. O carro da McLaren se mostrou competitivo desde o começo da temporada, mas fez bem menos pontos do que podia no começo do ano por erros de estratégia, pit stops equivocados e até barbeiragens como deixar Hamilton sem gasolina depois de uma pole na Espanha. Os problemas parecem sanados e o carro está melhor do que nunca. Ganhou fácil em pista lenta (Hungria) e também em pistas rápidas (Spa, Monza). O que, para Alonso, é péssimo.

A diferença de 37 pontos, embora volumosa, não é tão grande num cenário como este. Com a Red Bull claudicante, a disputa fica praticamente direta entre McLaren e Ferrari, o que é ruim para Alonso. Para quem está na frente, quanto mais gente para dividir os pontos, melhor. E agora a McLaren parece poder concentrar todos para ela. Mais três dobradinhas da McLaren com Hamilton à frente, ainda que Alonso chegue ao pódio sempre, deixariam a diferença em apenas 7 pontos para as quatro corridas restantes. É um campeonato ainda aberto.

Sobre o GP da Itália em si, uma bela corrida, como costuma ser em Monza, com muitas disputas e ultrapassagens. Brilho maior para Sergio Pérez, que outra vez chegou perto de uma vitória com a Sauber. Na base da estratégia, conservou pneus duros no começo para poder usar os médios no final e deu um cansaço em todo mundo. Poderia até ter ameaçado a vitória tranquila de Hamilton, se a corrida tivesse mais algumas voltas. Como não tinha, entende-se que a McLaren fez a estratégia ideal para o inglês, ainda que não tenha sido o mais rápido no final. Nem precisava, mesmo.

Para Felipe Massa, foi a melhor corrida em muito tempo. Largou bem, assumiu a segunda posição, manteve Jenson Button sob controle até ficar sem pneus. Perdeu o posto, precisou trocar pneus, mas nem assim perdeu o foco na prova. Seguiu como um dos mais rápidos da pista e era segundo após a quebra de Jenson Button. Porém, precisou deixar Alonso passar (nem cabe questionamento: o espanhol briga pelo título) e acabou fora do pódio graças à bela estratégia da Sauber para Pérez. Ainda que tenha sido apenas quarto colocado, nem de longe se pode considerar um mau resultado. Felipe mostrou que sabe e pode andar entre os pilotos da frente de novo, e isso pode mantê-lo na Ferrari por mais um tempo.

Bruno Senna, o outro brasileiro na pista, marcou um ponto de novo ao chegar em décimo. Ainda assim, poderia ter sido melhor. O carro da Williams é bom de reta, mas o brasileiro envolveu-se em disputas mais intensas com Nico Rosberg e Paul di Resta no começo da prova, ambas resultantes em saídas de pista que destruíram sua corrida. Com um começo mais comedido, poderia ter chegado mais à frente. Foi de regular para ruim, a bem da verdade.

Durante a prova, muito mimimi por causa de uma disputa de pista entre Sebastian Vettel e Fernando Alonso, que culminou em uma punição ao alemão. Muito barulho por nada, no meu entender. Os comissários vêm sendo rigorosos nas punições, a gente sabe disso, e Vettel empurrou Alonso para fora da pista de forma acintosa. Muitos lembraram que Alonso vez parecido no ano passado e nada aconteceu, mas foi uma circunstância diferente, basta assistir ao replay. O espanhol alargou a curva, mas quando viu que podia jogar o adversário para fora, recolheu. Tanto é que Vettel continuou na pista e continuou a manobra de ultrapassagem. Hoje, Vettel não deu espaço para Alonso, é evidente. Punição justa, portanto.

ATUALIZAÇÃO: Uma boa alma teve a paciência de editar os momentos, colocá-los lado a lado e subir no Youtube. Compare os vídeos abaixo e perceba que é nítida a diferença entre o espaço deixado por Alonso em 2011 e o deixado por Vettel hoje.

A Fórmula 1 vai agora para Cingapura, daqui a duas semanas, numa corrida que será chata pra danar. Um cenário lindo, prova noturna, mas insuportável. E, de cara, já dá para decretar o favoritismo da McLaren. Bom para o campeonato, ruim para ficar acordado num domingo de manhã.

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comentários

16 comentários

  1. Robson Santos disse:

    Excelentes seus comentários e ponto de viosta sobre a F1 em Monza.

    Infelizmente a ‘maldita’ FOM já tirou o comparativo Vettel X Alonso do ar!

  2. eduardo disse:

    Tirar a RB da disputa é um erro as proximas corridas serão mais favoraveis e o Vettel pode voltar a disputar as primeiras posições sobre a Mclaren se não fosse os erros dela principalmente a lentidao em desenvolver o carro que permitiu que os rivais tomassem a dianteira o Hamilton estaria disparado na liderança resta ver se a equipe vai manter o ritimo ou vai se perder de novo e o Alonso que não é bobo se ameaçado vai atacar o ponto fraco do Hamilton que é o equilibrio mental assim como Piquet e Senna atacaran Mansel e Prost atacou Senna

  3. Fernando Cruz disse:

    A boa noticia para o campeonato e que o campeao sera quase de certeza um dos dois melhores pilotos do mundo. Alonso pode ate ser o melhor mas Hamilton nao lhe fica muito atras e sem uma serie de azares (sobretudo por erros da equipa) podia estar ja no comando do campeonato. Esperemos que o Ferrari ande bem em Singapura e que Alonso possa ganhar la, para termos muita luta ate final. Quanto ao Raikkonen, acredito que o Lotus deve dar-se melhor nas proximas pistas do que aconteceu em Spa e Monza. Pode ate ser ele o terceiro homem na luta ate final e espero que ganhe pelo menos uma ou outra prova.

  4. Marcelo Dalbelles disse:

    Agora vcs queruam o que? Que o Vettel freasse pro Alonso passar, ele ficou na linha dele, a curva tem tangência e o carro foi pra fora, o Alonso forçou e acabou a pista.

    A manobra do Di Resta em cima do Bruno Senna foi mais acintosa, o brasileiro já ocupava aquele lugar no espaço e o escocês simplesmente jogou o carro em cima.
    São rigorosos sempre quando a Ferrari chora!

  5. MarceloPOA disse:

    Impressão minha ou o Alonso não aplaudiu o Perez quando lhe entregaram o trofeu?

  6. Ceres Miranda disse:

    TEXTO CORRIGIDO (desculpe!):
    Excelente análise da corrida! Só não concordo com sua interpretação sobre a diferença entre as manobras de Vettel e Alonso. No ano passado, quem estava à frente do campeonato era Vettel (Alonso tinha menos a perder), mas teve que recolher (bem levemente, diga-se) porque foi o Vettel quem não se intimidou com a espalhada (sendo, inclusive, muito questionado sobre isso na época). Nesse ano, com a situação invertida, Alonso pensou nos pontos (ele não tem a mesma folga que o Vettel tinha) e decidiu não arriscar e ganhar no grito (como sempre). Jogar o outro para fora da pista é empurrar o carro pra cima deliberadamente (como o Schumacher é especialista em fazer) e não espalhar na curva, ou o Button também jogou o Vettel para fora em Hockenheim? Abraço.

    • Adriano Augusto disse:

      podeam acusar o Alonso de tudo, menos de ser um piloto sujo. ele NUNCA fez uma manobra maldosa. quem não concorda que prove o contrário com fatos. obrigado.

      • Bruno Bertolo disse:

        Manobra suja no sentido de jogar o carro contra outro piloto eu também não lembro. Mas…

        Creio que seja manobra suja parar no pit para reabastecer o carro durante o treino classificatório e esperar vários segundos a mais, visando tirar seu companheiro de equipe (e concorrente pelo título) da disputa, como ocorreu em Hungaroring 2007 (salvo engano), pois o Hamilton não conseguiu abrir volta por causa desta manobra (e Alonso foi corretamente punido).

        Também creio ser manobra suja compactuar para que seu companheiro de equipe (Piquet Jr.) bata propositalmente para favorecê-lo com a entrada de um safety-car. É anti-ético em todos os sentidos, esportivos e humanitários. E nem adianta alegar que Alonso não sabia de nada. Já basta o Lula…

        E esse chororô do Alonso também é irritante. Em Indianápolis 2007, o Hamilton estava liderando a corrida (foi sua primeira vitória, salvo engano) e o Alonso estava mais rápido e começou a reclamar no rádio que o inglês não abria para ele… Como é que é?

        Depois, em 2010 novo mimimi, quando Petrov o trancou em Abu-Dhabi, na decisão pelo título. Pouco importa que o russo não era postulante ao título. Não é obrigado a ceder posição.

        Isso sem falar no famoso “Alonso is faster than you”. Logo, Alonso é um excelente piloto, mas é o “Príncipe das Lamúrias”… Está na hora de instituir cartões na F1 por reclamação. O Alonso será expulso em todas as corridas. Rsrs.

  7. Ceres Miranda disse:

    Excelente análise da corrida! Só não concordo sobre a sua interpretação sobre a diferença entre as manobras de ultrapassagem entre Vettel e Alonso. No ano passado, quem estava à frente do campeonato era Vettel (Alonso não tinha nada a perder), mas teve que recolher porque o Vettel não se intimidou com a fechada (foi, inclusive, questionado sobre isso na época). Nesse ano, com a situação invertida, Alonso pensou nos pontos e decidiu não arriscar. Jogar o outro para fora da pista é empurrar o carro pra cima do outro (como o Schumacher é especialista em fazer) e não espalhar na curva, ou o Button também jogou o Vettel pra fora em Hockenheim? Abraço.

  8. Que bom ver vc defendendo o ponto de vista da regra! Tá cheio de corneta por aí. A principal diferença foi que VET em 2011 não deixou a pista, pela lei (só deixa a pista se tirar as 4 rodas da linha branca). Como ALO este ano saiu com as 4, foi passível de punição, vejam na foto abaixo:
    http://www.podcastf1brasil.com.br/wp-content/uploads/2012/09/ALO-VET.jpg

    • Erick Breder disse:

      Se o Alonso passasse com as 4 rodas por fora da pista.. aí quem deveria ser punido era ele. O Vettel não foi punido esse ano por isso?

      Pra mim o Alonso forçou, numa curva de alta.. ali não dá pro piloto que tá na frente.. deixar de fazer o trajeto natural da curva. É diferente de uma disputa, com freada no final de uma reta… onde o piloto da frente.. já decidiu um lado e o piloto de trás… para passar.. já teria que ter definido também.. um lado da pista.

      Pra mim, foi bem decisão política, por se tratar da Ferrari.
      Se não, no caso do Di Resta e do Bruno, o piloto da Force India também deveria ter sido punido. Alguns podem ter achado que o Bruno forçou um pouco… mas quando o Di Resta jogou o carro pro lado, o Bruno já tava com metade do carro do lado dele. Sem entrar nos méritos, que o Bruno poderia não ter tentado passar ali.. e esperado chegar a reta.. ou coisa do tipo.

      Foram situações similares, com interpretações diferentes.
      Prevaleceu a força da Ferrari. A força como equipe e a força política que ela possui.

      • Fernando Cruz disse:

        Acho que o Bruno nao tinha velocidade em reta para passar carros com motor Mercedes, mais velozes, por isso atacou Rosberg e di Resta nas travagens, por fora porque eles defenderam bem a trajetoria interior. O toque do Di Resta justificava pelo menos uma investigaçao e ate ja houve penalizaçoes por menos. A corrida do Bruno ficou comprometida a partir desse momento, o desgaste dos pneus tornou-se maior e so por sorte acabou por pontuar. Moral da historia: nem sempre compensa ser-se combativo.

  9. Sergio Zampieri disse:

    Capelli, parabéns pela coluna. Mas e o Raikkonen? Ele vem apresentando muita regularidade, e acho que ele tem chance de título. Ainda temos 7 corridas, ou 175 pontos em jogo, e a diferença entre ele e Alonso é de 38 pontos. Eu apostaria uma boa parte das minhas fichas no Raikkonen.

  10. Bruno Valle disse:

    Ivan,
    Bela coluna! E parabéns por ser um dos poucos que lembram que QUALQUER piloto deve deixar o espaço de um carro para quem está ao lado. Esse papo de que “espalhar é normal” é pra quem joga sujo. Enfim, aquele abraço!

    • Fernando Cruz disse:

      Eu tambem concordo, mas Button em Hockenheim nao pensou o mesmo, espalhou e obrigou Vettel a passa-lo por fora da pista. Ainda por cima teve a ousadia de pedir uma penalizaçao para o alemao e a FIA teve a ousadia de fazer-lhe a vontade. Talvez a FIA tenha pensado que ao ficar sem espaço Vettel devia ter abortado a tentativa de ultrapassagem em vez de completa-la por fora da pista. Alguns pensam que Alonso devia ter feito o mesmo em Monza mas neste caso a FIA entendeu outra coisa e penalizou o piloto que espalhou, ou seja o Vettel.

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