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29 de julho de 2012 - 11:32Análises, Automobilismo

Hungaroboring

Numa temporada de Fórmula 1 emocionante como há muito não se via, o GP da Hungria hoje foi uma imensa decepção. Porém, considerando-se o histórico de Hungaroring, um circuito que geralmente proporciona corridas modorrentas, não houve muita surpresa. Como muito bem definiu o Leandro Angelo no Twitter, o nome da pista deveria ser “HungaroBORING”.

Mas, apesar da prova sem ultrapassagens e com praticamente nenhuma disputa na pista, há muitas coisas positivas a ressaltar. Lewis Hamilton, o vencedor, mostrou que a McLaren não pode ser totalmente descartada da briga (como eu mesmo fiz na Alemanha). Porém, o domínio da equipe durante a corrida não foi exatamente o que se esperava depois dos treinos de classificação. Tudo indicava um passeio do inglês, mas a vitória foi difícil, suada. Lewis foi pressionado praticamente a corrida inteira pelas duas Lotus, primeiro por Romain Grosjean, depois por Kimi Raikkonen, e mesmo assim manteve-se inabalável na frente. Não errou e manteve o controle da corrida mesmo tendo ficado boa parte do tempo com uma diferença inferior a um segundo, portanto dentro da zona de ativação do DRS. Foi uma vitória maiúscula, de um piloto rápido e maduro.

Merece destaque também o segundo lugar de Kimi Raikkonen, que fez uma série espetacular de voltas rápidas no final do segundo stint e voltou dos boxes duas posições à frente, dividindo a curva com seu companheiro Grosjean e dando um chega-pra-lá no francês. Foi o melhor momento da corrida, uma disputa forte entre companheiros de equipe, coisa rara nos últimos tempos.

Romain Grosjean, por sua vez, fez uma prova irregular. Teve a oportunidade de brigar pela vitória, chegou a pressionar Hamilton, mas cometeu erros sempre que se aproximou demais, mas não deve ser crucificado por isso. É um piloto jovem e é de se esperar que ainda tenha esse tipo de destempero. Regularmente no top 10 e marcando seu terceiro pódio na temporada, faz um campeonato muito acima do esperado para um novato. Grosjean vai longe, apesar da torcida contra de parte da pachecada brasileira, que ainda alimenta uma rivalidade boba dele com Nelsinho Piquet, que nem piloto de Fórmula 1 é mais e já virou essa página.

Dentre os brasileiros, uma boa corrida de Bruno Senna. Largou muito bem, chegou a brigar pelo quinto lugar com Fernando Alonso na primeira curva, mas foi maduro ao não ir para o “tudo ou nada” e acabou caindo para a oitava posição. Durante a prova, soube-se manter no pelotão do meio e no final ainda segurou bem Mark Webber, que vinha com pneus novos, um carro melhor e muito mais ação. Aproveitou-se das características do traçado húngaro para se defender e terminou num bom sétimo posto. Já Felipe Massa foi muito discreto. Largou mal e ficou a corrida toda oscilando entre o nono e o sétimo lugar.

Discreto foi também Fernando Alonso, consciente de que não tinha carro para brigar pela ponta. Fez uma corrida para administrar danos e se deu muito bem. Seus adversários mais próximos na briga pelo título também não foram bem, o que lhe deu imensa vantagem. Mark Webber, o perseguidor mais próximo, foi apenas oitavo, o que dá a Alonso agora 40 pontos na liderança no campeonato. Sebastian Vettel, terceiro na tabela, chegou apenas uma posição à sua frente, descontando míseros dois pontos. Com isso, agora está 42 pontos atrás. A vantagem de Alonso é imensa. O espanhol, por sinal, fez pontos pela 23ª corrida consecutiva, encostando no recorde histórico da Fórmula 1, que pertence a Michael Schumacher, com 24. É esta regularidade, somada à sua genialidade nos momentos decisivos, que faz de Alonso o franco favorito ao tricampeonato.

A Fórmula 1 agora tira férias de um mês e só retorna em 2 de setembro, na Bélgica. Por restrições de custo, as equipes são proibidas de fazer testes neste intervalo, obrigando os times a tirar férias de verdade. Assim, dificilmente o cenário da relação de forças entre as equipes deve mudar para Spa. O que é uma boa notícia, pois o equilíbrio é a tônica deste campeonato. Que continue assim, mas com corridas melhores do que esta em Hungaroring.

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comentários

15 comentários

  1. alf disse:

    Capelli, cadê o post sobre o treino classificatório para o GP da Bélgica ? Será que terá post hoje?

  2. Alan Borghini disse:

    Os pneus elípticos da McLaren achatada da foto devem dar um desempenho melhor ao Hamilton.

  3. Pedro José Carguero disse:

    Capelli, torço para que leia isso aqui. Se alguém que comenta aqui ler e ele não, mandem pra ele no twitter, sob o preço de que pago uma dose de destilado ou mando por correio uma tapioca.
    Tipo, o que se passa, é que você abriu uma discussão imbecil no seu twitter hoje e censurou o direito de quem é mais novo de gostar do Piquet; ou então, chamou de babaca quem gosta do Piquet (ser “cool” é ser babaca, só pra fazer um esclarecimento aqui, e que estou absolutamente certo disso, e quem discorda errado).
    Não basta jornalista assistir novela, tem que falar merde alors nas internets também. Perdeu alguns leitores hoje. Já pode ficar mais um ano fora, na cadeirinha de pensar.

  4. roberto vitor disse:

    Alonso apesar de ter um equipamento um pouco inferior,aos concorrentes de pontas é o grande favorito a ser tricampeao de f-1.

  5. Ednei Rovida disse:

    O que mais coloca o Alonso como favorito não é a vantagem dele, mas o fato de várias equipes disputarem a ponta com chances reais de vitória a cada prova. Isso vai diluir os pontos, permitindo até uma série de maus resultados da Ferrari sem grande prejuízo.
    Mas ainda tem muita água para passar debaixo dessa ponte…

  6. O detalhe deste campeonato é que os brasileiros pouco aparecem. Tá, não dá para dizer que isso seja de fato uma novidade, mas o que ainda consegue fazer ago positivo é Bruno Senna. Felipe Massa, que deveria tentar o seu máximo, nem está aparecendo e provavelmente não terá o seu contrato renovado com a Ferrari em 2013.

  7. Lucas disse:

    Muita gente tem dito que “é só o Alonso ficar fazendo pódio até o fim que ele leva”. É verdade, mas já repararam que em condições normais e sem incidentes a Ferrari quase nunca é carro para disputar pódio? Em Valência o esperado era dobradinha fácil da Red Bull, mas uma quebrou enquanto a outra teve que largar lá de trás num circuito onde ultrapassar não é a coisa mais fácil do mundo (e foi assim que Alonso conseguiu se manter à frente do Kimi). Na Inglaterra choveu no treino – só assim para a Ferrari conseguir disputar uma pole – e ainda assim a Ferrari só foi bem com os pneus duros – foi só trocar pros moles que Alonso virou presa fácil pro Webber. Não fosse a chuva no treino, um terceiro lugar era o máximo que ele conseguiria. Mesma coisa na alemanha: a chuva permitiu a pole, e aí foi “só” segurar os carros mais rápidos até o fim da corrida. Aí veio finalmente uma corrida e treinos em pista seca e sem abandonos, e o resultado foi só um quinto lugar. Não creio ser coincidência que essa foi exatamente a colocação que o Alonso conseguiu no último GP a acontecer em condições normais (Canadá). É meio como Senna em 93, respeitando as devidas proporções – se tivesse chovido em mais corridas naquele ano, Senna poderia ter sido campeão. Se chover em mais algumas nesse, Alonso leva. Se não, já era – 40 pontos de vantagem não é nada quando há 225 em jogo e o carro não é sequer bom o suficiente para brigar por pódios em todas as pistas em condições normais. Aí mando agora um palpitão: vai dar Kimi. O blog da Renault recentemente publicou que finalmente resolveram os problemas dele com a direção. Da última vez que uma equipe conseguiu achar um set-up que funcionasse pra ele (Kimi é muito dependente disso), o resultado foi reverter uma desvantagem de 26 pontos (na época em que a vitória valia 10, e portanto bem menor que a desvantagem de 48 pontos que Kimi tem para Alonso no momento) rumo ao título mundial. Spa não será um bom termômetro, pois Kimi já ganhou lá até mesmo com o lixo que a Ferrari fez em 2009 e com a McLaren capenguíssima de 2004 (num ano em que a Ferrari tinha um carro de outro mundo). Mas se ele for bem lá e também em Monza, acho que já pintou o campeão de 2012.

  8. Mark disse:

    Olá
    Capelli gostaria de perguntar se você reparou que o kers da maclaren carrega na reta, algum truque novo?

    • Lucas dos Santos disse:

      Mark,

      Na verdade isso acontece com todas as equipes e não significa que o KERS “carrega na reta”. Isso se deve ao fato do regulamento restringir o uso do sistema por apenas 6,6 segundos por volta.

      O KERS carrega normalmente durante a volta, com o acionamento dos freios, mas os pilotos só podem utilizar essa “recarga” na volta seguinte após fecharem a volta atual. É por isso que na representação gráfica o KERS só aparece cheio quando o piloto cruza a linha de chegada na reta principal.

  9. Mauricio disse:

    40 pontos de vantagem. Tratando-se de um piloto tão regular, preciso e inteligente como o Alonso, é muita coisa. Ainda mais que McLaren, Red Bull e Lotus ficam brigando entre si. E ainda há a possibilidade de a Mercedes se reencontrar e entrar no bolo.
    Acho que Alonso só perde o título se alguma equipe adversária se diferenciar muito das demais.

  10. thiago disse:

    Olá.

    Até acho que Hamilton tinha carro pra abrir na frente ir bem mais rápido do que foi, mas fazendo isso não conseguiria fazer os pneus durarem o suficiente para parar só duas vezes e teria que fazer uma terceira parada, que aliada à boa forma com que a Lotus trata os pneus, lhe tiraria a vitória.

    Uma vitória bem planejada da Mclaren. Se fosse a Red Bull ali, tentaria liquidar a corrida logo de cara como sempre faz, acelerando tudo e partiria para três paradas, como acabou fazendo, e provavelmente sairia da corrida derrotada.

    • debora disse:

      Tiago, você pelo jeito entendi mesmo de F1, porque foi isso mesmo que aconteceu, entendi dessa forma depois que vi a entrevista do lewis, foi dessa forma que ele conseguiu segura o Kimi , que tinha uma troca mais longa que ele…

    • debora disse:

      E detalhe ele falou que foi uma corrida dura, que teve que tomar cuidado para não errar e escapar por que ele não podia ficar muito longe, para que pudesse fazer com isso ocorrer um desgaste dos pneus da Lotus e. Com isso a proxímidade era muita ele não poderia errar nada…. E n final conseguiu que o Kimi não estava mais conseguindo acompanhar por causa dos pneus …

  11. Gerhard Berger disse:

    HungaroBORING (brilhante!) sempre foi chata.

    Como todos sabem, a corrida é decidida no sábado….a gente só assiste pra ver se acontece algum imprevisto (acidente, o carro quebrar repentinamente, chuva, etc…)

    Mudando de assunto:
    Maldonado já tomou (se não me negano) 10 punições em 11 corridas.
    Não deveria haver um limite para punições?

    Por exemplo:
    Depois de “X” punições, o sujeito fica sem participar da próxima corrida.

    O cara só faz “M…”

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