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10 de junho de 2012 - 18:12Análises, Automobilismo

Uma corrida de apostas

O GP de Mônaco, com seu tradicional cassino, aconteceu há duas semanas. Mas foi hoje, no Canadá, que a Fórmula 1 viveu seu dia de apostas. Ganhou Lewis Hamilton, que preferiu não arriscar e foi na certa: duas paradas de box. A Red Bull e a Ferrari, por outro lado, jogaram pesado ao optar por apenas uma troca de pneus. Perderam, e perderam feio.

Não que as definições estratégicas para as corridas de Fernando Alonso e Sebastian Vettel tenham sido de todo erradas. A McLaren de Lewis Hamilton estava imbatível em ritmo de corrida e, de fato, ficou claro que não haveria como vencê-lo logo após a primeira rodada de pit stops. Como o GP do Canadá é normalmente acidentado, com frequentes intervenções do Safety Car, a aposta de Ferrari e Red Bull fazia sentido. Trocaram pneus com pouco menos de 20 voltas, colocando compostos macios ao invés dos supermacios com os quais haviam largado, e apostaram na queda de temperatura da pista (que aconteceu) e em uma entrada do Safety Car (que não aconteceu) para que seus pneus durassem o suficiente para permanecerem na ponta. Quase deu.

A dez voltas do fim, Alonso liderava, com Vettel em segundo e Hamilton em terceiro. Calçado de pneus novos, porém, o inglês voava na pista e claramente chegaria e passaria os dois, como aconteceu. Percebendo que a estratégia havia naufragado e adivinhando o desastre que viria a seguir, a Red Bull chamou Vettel para os pits para colocar pneus novos. A Ferrari não notou o risco que corria com outros carros mais rápidos e mandou Alonso ficar na pista. O resultado foi um espanhol se arrastando nas voltas finais, sendo ultrapassado também por Romain Grosjean, Sergio Perez e o próprio Vettel, de calçados novos. Chegou em quinto, um desastre total.

Desastre porque Alonso e Vettel brigam pela liderança do campeonato. Tivessem feito uma estratégia tradicional como a de Hamilton, teriam completado o pódio e se manteriam à frente na classificação. Porém, perdendo o pódio, perderam também a ponta da tabela. O inglês da McLaren é o novo líder, com 88 pontos. Alonso é o segundo com 86, enquanto que Vettel é o terceiro, apenas um ponto atrás. O risco assumido em prol da vitória não compensou e a liderança mudou de dono.

Porém, se a corrida teve tanta emoção até o fim, isso se deve ao desconhecimento que as equipes ainda têm dos compostos da Pirelli, que permitem erros como este. O GP do Canadá de 2011 foi um divisor de águas neste sentido. A partir desta prova no ano passado, as equipes passaram a dominar o comportamento dos compostos e o restante do campeonato foi enfadonho, sem as diferentes estratégias que permitiam emoção nas corridas até o fim, como acontece novamente agora. É saudável para a competição que as equipes continuem tentando, errando e acertando.

Como acertaram Lotus e Sauber, também ousadas com estratégias de uma parada apenas. A Lotus, segunda colocada com Romain Grosjean, teve estratégia similar à da Ferrari. Porém, com um carro muito mais gentil com os pneus, a estratégia funcionou perfeitamente. Grosjean parou apenas uma volta após Alonso e chegou ao final com os pneus em ótimo estado, virando tempos competitivos. Já no caso da Sauber, a estratégia aconteceu da forma inversa. Sergio Perez largou do 15º lugar, com pneus macios, e trocou para supermacios com quase 40 voltas, fazendo o trecho final da prova com os compostos mais rápidos. Deu resultado, finalizando na terceira posição.

A diferença entre a estratégia certa e a errada em 2012 tem sido muito sutil e por isso não está sendo fácil para as equipes definirem o que pode levá-las à vitória ou à pior das derrotas. E, para que continuemos assistindo corridas emocionantes, tomara que continue assim.

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comentários

8 comentários

  1. Lucas R disse:

    E mais um erro da equipe durante o pit stop do Hamilton! Por sorte Montreal possui um pit lane que não pune tão severamente esse tipo de erro.

  2. Gerhard Berger disse:

    Tava na cara que o Alonso não ia chegar ao final com aqueles pneus. Até meu sobrinho de 14 anos comentou isso.

    O Alonso é brilhante, mas o Stefano Domenicalli é uma tremenda negação como estrategista.

    Toda as vezes em que a Ferrari teve que contar com uma estratégia bem elaborada, eles erram feio!!

    S.O.S Ross Brawn!!!

  3. André Luiz disse:

    Belo texto, Capelli. Foi uma grande corrida. O Hamilton foi demais, torci muito por ele.
    Foi triste ver o Massa rodando daquele jeito. :l

  4. Engraçado que eu também escrevi sobre o GP do Canadá sob o viés do jogo. Nenhum dos pilotos estava com o controle de todas as variáveis e isso foi o que deu emoção à corrida. Mesmo que a sequência de vencedores diferentes acabe, e que finalmente despontem certos pilotos na liderança do campeonato, somos privilegiados por assistir a provas como essa.

  5. Thiago disse:

    Já estou esperando o Montezemolo começar a fazer bravata e dizer que a Ferrari vai sair da F1 por não concordar com as regras… já vai tarde!

  6. André disse:

    O resultado foi interessante tanto para o campeonado como para os novatos mas não achei emocionante. Lembro só da ultrapassagem do Massa no começo e depois o pessoal batendo em morto que era o Alonso se arrastando pela pista.
    Corridas ótimas ainda virão porque a F1 desse ano está demais, com exceção dessa corrida.

    • Gerhard Berger disse:

      Concordo que foi ótimo pra F1 que o Hamilton ganhasse, pois foi o sétimo vencedor em sete corridas, mas…confesso que torci por Alonso. Acho que ele merecia mais.

      O ano está ótimo, mas chega a irritar ver os pilotos se arrastando pela pista…nem parece uma corrida de F1….parece um “Rally no gelo” ou sei-lá o quê…

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