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25 de março de 2012 - 9:33Análises, Automobilismo

Prateadas pipocando

Curioso demais o início de campeonato de McLaren e Mercedes, que na pré-temporada insinuaram que poderiam dominar o campeonato. Na Malásia, o que se viu foi a segunda pipocada de ambas em duas corridas.

O caso mais grave é o da Mercedes, que tem um carro rápido em classificação, mas desastroso em ritmo de corrida. Até começa bem, mas os pneus se desgastam rapidamente e depois disso é ladeira abaixo. Michael Schumacher foi prejudicado por um incidente com Romain Grosjean na primeira volta, mas ainda assim, não faria muito melhor do que o décimo lugar conquistado. Isso ficou claro pelo ritmo ridículo de Nico Rosberg, que durante boa parte da prova fazia tempos de volta similares aos dos pilotos da Marussia. Ter marcado um ponto foi até pouco merecido para o time. E não teria acontecido, não tivesse o motor Renault da Williams de Maldonado aberto o bico no finalzinho.

O que acontece com a McLaren é menos preocupante, mas ainda assim, é sério. Pelo domínio que demonstrou nos treinos e classificações de Austrália e Malásia, a equipe deveria ter saído desta primeira rodada dupla com duas dobradinhas e com domínio total na classificação. Não foi bem assim. Se Button foi genial e venceu na Austrália, Hamilton foi claudicante e terminou apenas em terceiro. Hoje, em Sepang, Button fez uma besteira monumental quando tentava ultrapassar a HRT de Narain Karthikeyan e perdeu o bico do carro. Culpa do incidente 100% atribuível (existe essa palavra?) ao inglês, que tentou atropelar o indiano, num erro raro em sua carreira. Teria feito um pódio certo, quiçá uma vitória, mas acabou fora da zona de pontos, em 14º.

Já Lewis Hamilton foi burocrático. Largou bem, mantinha a liderança com certa cautela sob chuva, até que foi vítima de erros de sua equipe em dois pit stops. Quando a pista secou, imaginava-se que conseguiria um ritmo suficiente para chegar na briga de Alonso e Perez, mas ficou acompanhando à distância. Um ritmo de prova estranho para quem tem o melhor carro deste início de campeonato. Fez outro pódio em terceiro, novamente com cara de nádegas durante a premiação.

A McLaren tem tudo para se recuperar, já deu mostras de que o carro é competitivo, mas perdeu uma grande oportunidade de disparar na frente. Na temporada europeia a Red Bull deve estar mais à frente e a briga tende a ser mais acirrada. No fim do ano, a equipe pode lamentar muito este início errante de campeonato. Já a Mercedes deve estar coçando a cabeça. O carro não aguenta 10 voltas com o mesmo pneu e isso é muito grave.

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comentários

8 comentários

  1. Mauricio disse:

    Tirando os erros crassos da equipe, não seria um problema de consumo exagerado de combustível?
    Olha que na Austrália alguém da escuderia comentou que houve um erro… Será que esse erro foi de conceito? O carro esta um pouco mais beberrão que o que serio normal?

    Só isso explica o ritmo constante e estranhamente lento de Hamilton quando a pista secou.

  2. Zé Fini disse:

    Eu tbm não estou entendendo a McLaren esse ano. Tem o melhor carro nos treinos, mas durante a corrida o desempenho cai um pouco. Exatamente como acontecia com a Red Bull ano passado, com a diferença que o Vettel abria uma vantagem enorme e a equipe era um relógio nos pit stops.

    Esse ano a equipe não está conseguindo aliar o fato de ter o melhor carro, ter feito duas pole com um excelente desempenho nas corridas, pricnipalmente o Hamilton.

    E hoje na Malásia, até o Button conseguiu bater em numa Hispania, os mecânicos erraram nos pit stops de Lewis, a equipe errou na estratégia pq era pra ter chamado os pilotos logo para ter colocado pneus de chuva quando o aguaceiro ficou mais forte, enfim…hoje a McLaren deu uma de Hispania e Marussia.

    O dia foi tão atípico que até a RedBull e Vettel fizeram das suas.

  3. Capelli, talvez já tenham te perguntado isso, até tu talvez tenha te perguntado e eu volta e meia penso nisso: os resultados conquistados pelo Schumacher, desde sua volta pela Mercedes, não depõem contra sua história?

    Claro que sempre há discussões quanto a quem foi melhor ou quais foram os gênios. É algo inerente ao esporte. O que não questiono é o fato de que Schumacher foi o MAIOR, visto que isso é mensurável e seus números o colocam no topo, acima de todos – por enquanto. Até aí, tudo bem.

    Mas como um gênio, como um heptacampeão, ele não está devendo resultados? Já são mais de 40 corridas sem pódios, e salvo alguma ou outra corrida, ele pouco fez de relevante, além dos limites do carro.

    Em 2010, levou uma surra do Rosberg, que é um piloto que muito tem me decepcionado. A ‘Barbie’ não é capaz de vender caro uma posição para quem tem um carro melhor ou de mesmo nível. Em 2011, Schumi equilibrou as coisas, ainda que tenha ficado atrás de Nico. No entanto, no que tange aos demais, tem sido um piloto comum.

    Será que dá pra creditar essa decepção com Schumacher ‘apenas’ à idade e a performance da Mercedes, sobretudo em corridas, ou o Alemão dá margem a que o questionem, sendo um certo erro seu retorno da aposentadoria?

    Atualmente, sou capaz de considerar Alonso melhor que o Alemão, justamente por ter tirado leite de pedra numa Renault muito meia boca em 2008/09, brigado por título com uma Ferrari inferior a McLaren e Red Bull, em 2010, e ter feito milagres em 2011

    • Lucas disse:

      Some a essa lista também os quatro pódios, duas poles e uma vitória com a Renault de 2003, carro que era só o quarto melhor do grid, atrás de Ferrari, Williams e Mclaren. Dá pra falar sem medo de errar que desde a era Senna/Prost ninguém faz tanto milagre quanto esse espanhol. Passei anos e anos ouvindo que hoje em dia não dá mais pro piloto se sobressair com carros inferiores como era possível naquela época, mas fico feliz de estar vendo o Alonso mostrar que sim, isso é possível. Fico imaginando o que aconteceria se ele pegasse um carro como aquelas Ferraris de 2002 e 2004…

  4. Welton disse:

    Sim, a palavra “atribuível” existe. Ela aparece nos dicionários Houaiss (daqueles grandes, não dos pequenininhos que as crianças levam pra escola) e Priberam: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=atribu%C3%ADvel

  5. Lucas disse:

    Com a McLaren eu não me preocuparia muito, pois Alonso e Pérez jamais terminariam à frente deles em condições normais. Fosse em corrida seca e sem erros, provavelmente rolaria dobradinha da McLaren ou quando muito com uma Red Bull separando os dois carros. Quanto à Mercedes, concordo. Não fosse o DRS, até dava pra esperar bons resultados da equipe, mas a traquitana é extremamente cruel com carros e pilotos que conseguem classificar à frente: basta lembrar que em 2010 o Rosberg conseguiu até alguns pódios depois de fazer excelentes classificações, pois tinha como se defender, mas em 2011 toda vez que ia parar lá na frente era só questão de algumas voltas até que os caras das três equipes maiores à época o ultrapassassem facilmente. Pra mim esse DRS é a pior coisa da F1 atual, pois acaba com a possibilidade de recompensar pilotos bons de classificação e bons de defesa, o que tira uma das grandes belezas da F1 que é ver pilotos conseguindo bons resultados com carros inferiores – se houvesse DRS em 92 e 93, por exemplo, certamente o Senna não teria conseguido aquelas vitórias contra as então poderosas Williams. Mais recentemente, é provável também que Alonso não tivesse ganhado os campeonatos de 2005 e 2006, em que a McLaren (em 2005) e a Ferrari (na segunda metade de 2006) eram bem mais rápidas que a Renault. Alguns falam “ah, mas se o Alonso tivesse DRS em Abu Dhabi seria campeão em 2010″, mas é bom lembrar que ele só chegou na última corrida com chances de ser campeão com um carro inferior porque durante todo o resto da temporada conseguiu se defender muito bem de carros mais rápidos – se houvesse DRS em 2010, até chegar o GP de Abu Dhabi ele já teria perdido facilmente tantas posições pras McLarens e Red Bulls que certamente já estaria muitos pontos atrás e não teria a menor chance no campeonato. Esse DRS é como uma “imposição” da hierarquia dos carros, o que é bem triste. Legal mesmo é ver um cara de carrão tendo que suar pra passar um bom piloto de carro ruim, mas com o DRS não vejo mais como isso possa acontecer em condições normais (não fosse a chuva, Alonso e Pérez não teriam conseguido fazer o que fizeram).

  6. Vinícius Lucas disse:

    Essa Mercedes é o cavalo paraguaio do ano.
    Lotus e Williams terminarão fácil o campeonato na frente deles.

  7. Lucas R disse:

    O que aconteceu com os mecânicos da McLaren? Pegaram emprestado o pessoal da Ferrari do ano passado?!

    Conseguiram errar nas TRÊS paradas do Hamilton – se bem que na primeira o piloto teve sua parcela de culpa.

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